sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Escola Portuguesa - A arte de deseducar

Para quando o regresso à escola pública, da exigência, do rigor, dos valores, da disciplina. Quando poderemos enviar os nossos filhos à escola, aqueles que em casa, apesar da rotina diária a que é forçada a maioria dos portugueses que ainda conseguem ter trabalho, recebem educação. Educação com valores, educação para uma vida com exigências, educação para o amor ao trabalho e não á preguiça.
Para quando poderemos contar com a escola para nos apoiar na educação dos filhos e não para os deseducar.
A escola de hoje pretende atingir o impossível: instruir (as que o conseguem) deseducando.
Deseduca quando pretende tratar todas as crianças e jovens de modo igual, no seguimento de falácias ideológicas que produzem níveis de exigência ao nível dos atrasados mentais. Professores que são obrigados a suportar todas as possíveis e imaginárias faltas de educação e respeito, pois todos os desvios de comportamentos são desculpados e justificados por políticos e pedagogos que na sua maioria dão aos seus filhos (através de colégios particulares) aquilo que recusam que seja dado à maioria dos filhos dos outros – noções de disciplina, respeito entre e inter-gerações, noção de que erro com intenção tem equivalência com punição.
Para quando temos de suportar que os nossos filhos que em casa tem um nível de exigência, porque procuramos fazer deles pessoas válidas, sãs e sociáveis para a sociedade do futuro, tenham que se sentar com colegas a quem tudo é permitido e nada de mais consequente lhes acontece ou aos seus pais.

Voltando ao inicio: Para quando o regresso à escola pública, da exigência, do rigor, dos valores, da disciplina?

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Cartoons, histerismos e outros sintomas do declinio da nossa civilização

Recebi este texto por email, supostamente escrito por Miguel Sousa Tavares. Sendo ou não, está muito claro, sensato e honesto, logo, politicamente incorrecto. Bem aja e desculpa por o republicar:

"O Cerco
JÁ FALTOU mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catálogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d’alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir à pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar «reintegrar» as «minorias» instaladas na assistência pública, como os ciganos, os drogados, os artistas de várias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, à medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que «a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudências e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso.
Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exército heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofóbico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público» porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirição sobre escutas na Assembleia da República, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou «machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, como me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distância num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição sobre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e até já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadamente à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «tóxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil», vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito às balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais.
Agora vêm-nos com esta história dos «cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num país democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arábia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comércio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões públicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a srª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos «cartoons» profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica!
A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, onde uma polícia de costumes varre as ruas em busca de sinais de «imoralidade» privada, onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adúlteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita?
Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não.
É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância.

Miguel Sousa Tavares"

terça-feira, outubro 04, 2005

A UE tem futuro?

Cada vez mais me pergunto se a UE serve a Portugal. Cada vez mais me perguno se a UE, para além dos eurocratas, dos seus dependentes (incluindo muito jornalista e fazedor de opinião) e dos EUA, serve a mais alguém! São dúvidas que muito me surgem nos últimos tempos. Mais uma vez a visivel chantagem e o acantonamento em que se deixou colocar relativamente à questão Turca e a falta de coragem em dizer Não, me deixa muito apreensivo pelo futuro.

sexta-feira, setembro 09, 2005

"O Katrina, para quem gosta de interpretações mais cabalísticas destas coisas, será um sinal de Deus aos americanos para que começam a olhar para o que se passa dentro das suas fronteiras, esquecendo por um bocado os seus ímpetos militaristas no exterior. Mas como vivemos dentro dos parâmetros do racional cartesiano, o Katrina foi, quanto mais não seja, uma terrível catástrofe natural que nos fez olhar de outra forma para os Estados Unidos da América e descobrir que por debaixo de uma fina máscara de modernidade e até de algum «glamour», está apenas um país de pobres e ao nível do que pior se encontra no Terceiro Mundo. Bye bye, América. O mundo merece outros donos."

José Diogo Madeira, no Jornal de Negócios .

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A opinião do Sr. José Diogo Madeira, merece-me um comentário simples em género de questão e pedido de reflexão:
Quem acha que estará melhor preparado para assumir a liderança do Mundo? A China imperialista e com um padrão de valores totalmente distintos do Ocidental incluindo sobre os dos direitos dos cidadãos e da Autonomia dos Povos? A Rússia debilitada internamente por décadas de um modelo económico e social destrutivo das estruturas sociais necessárias para lutar num mundo como o de hoje? A Europa cheia de hipocrisias Sociais e Politicas, Internas e Externas e de individualismos de supremacia sobre os demais? Quem?
Ao contrário da opinião doutrinária e politicamente correcta, o Mundo Social tem uma evolução lenta, marcada pelo sofrimento dos povos e por revoluções, onde, ao longo dos tempos, a satisfação das aspirações dos povos é atingida pela execução de objectivos estratégicos, que não mais têm como finalidade que aumentar o seu poder. Poder sobre recursos e poder sobre os outros.
Com esta realidade, e em honestidade, cabe-nos escolher o lado pela experiência e provas dadas. Por esse facto, não sendo pró-americano, sou americano, repito – não sendo pró-americano, sou americano - e prefiro que se mantenham como líderes do Mundo.
No final do Séc. XIX, inicio do Séc. XX, estivemos perante graves crises Sociais e económicas associadas a ambições de poder de blocos Políticos. Agora, no final do Séc. XX inicio do Séc. XXI, estamos com padrões semelhantes, agravados com o que poderá vir a ser um choque de Civilizações. Não estar consciente dos potenciais perigos, de modo racional, paga-se sempre muito caro. É a minha muito modesta e descomprometida visão das coisas.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Um artigo muito interessante a ler, sobre a Lusofonia e o Autismo de Portugal e Brasil, no Noticias Lusófonas

quinta-feira, setembro 01, 2005

Para onde caminha este nosso País?(1)

Questões para reflexão e debate face ao sentimento por cada uma das àreas.
Para onde caminha este nosso País?
- Se mais de metade dos alunos do secundário, não consegue acabar os seus cursos com aproveitamento, e não se responsabiliza quem desenhou os planos e guias pedagógicos e educacionais para os vários níveis de ensino. Se se prefere continuar a responsabilizar o antigo senhor pelo atraso deste povo em conhecimentos, cultura, amor ao acto de aprender e fibra para enfrentar as dificuldades ( só se pode exigir - se lhes for dado. Mas tem que se exigir e ao mesmo tempo premiar o excepcional e não a mediocridade);
- Se o património histórico e cultural deste país com quase mil anos, continua por inventariar, deitado ao abandono e votado a actividades menos licitas, quando deveria estar dotado de um plano de controle central e gestão local, enriquecedor na variedade de experiencias culturais fornecidas a cada um dos cidadãos deste país;
- Se a educação continua a ser considerada uma ciencia, alienada da cultura e do desporto e do cumprimento de objectivos estratégicos, cientificos, tecnológicos, económicos e sociais para Portugal. Quando deveria ser considerada como a Gestão de recursos, no cumprimento de objectivos exigentes e a avaliação rigida de performance de todos os cidadãos intervenientes, no cumprimento de postulados e métodos cientificos e sociais;
- Se a Administração Interna se mantêm como uma coutada de múltiplos interesses corporativos e partidarios. Com uma estrutura de forças de fiscalização, policiamento e segurança aparentemente desactualizada na sua proficua variedade, descoordenação, competência e eficiência. Quando deveria estar preparada de modo a fazer face aos tempos actuais e preparada para prevenir os tempos futuros e dotada de meios que não envergonhem o Pais e quem serve nos referidos corpos policiais;
- Se a Justiça cada vez mais é para os ricos, dada a necessidade de bons advogados para se obter um bom e correcto acesso à justiça; pelo emaranhado de leis, interesses, ausencia de informação integrada e vontade de servir o mais humilde, acompanhada de aparentes e indicifráveis razões para a irracionalidade de alguns procedimentos;
- Se a Defesa está mais adequada a um País do Terceiro Mundo, não reestruturada e planeada para o Presente e Futuro. Pois mais uma vez há interesses coorporativos internos e externos, assim como um grosso bloqueio mental de certas forças politicas para encararem com serenidade e competencia, o real valor e necessidade de umas forças de Defesa e Segurança, dignas de um País que quer ser desenvolvido e acompanhar os Grandes, com o Bom senso da clareza da sua dimensão;
- Se a Saúde a Segurança Social e a Educação, bens incontornávelmente de acesso geral e público, se encontram mais uma vez entregues também a falsas politicas de melhoria e racionalização, que mais não aparentam ser que servir à mesa de interesses particulares e corporativos, o pouco que ainda há na despensa do bem público;
- Se todos os anos a área de floresta ardida é maior, sem que claramente se responsabilize criminal e politicamente. Sem que as estruturas de investigação judiciária neste país, sejam capazes de indentificar e acusar os grandes beneficiados com o crime quando é de origem criminosa (para cada crime há pelo menos um motivo e um beneficiado), sendo que tanto se justifica agora com a mão criminosa, incluindo politicos nas mais altas instancias no governo do país, e ano após ano, nada se vê fazer para eliminar tão grande e tenebrosa organização criminosa. Ou será que o crime é somente o mais comezinho e baixo de todos(se é possível no crime haver prémios de grandeza, competencia e desempenho); caracterizado pelas classes politicas, desde a central à local, passando pelas estruturas de prevenção e combate aos incendios e pelas actividades comerciais privadas, se envolverem em teias de corrupção e incompetência. SEM FALAR dos rios, das licheiras, das reservas, dos lençois freáticos, do mar, do ar, do ordenamento urbanistico, etc...;
- Se a estratégia que as elites portuguesas têm para o país, é o Turismo, o pacto de estabilidade e a mendicidade/um cargo, junto de Bruxelas. Quando deveriamos vê-los envolvidos na definição de planos estratégicos para o País a médio e longo prazo e sua integração com a aposta em postulados e critérios de exigência e excelência na Educação e Cultura, na Saúde, na Administração Interna, na Justiça, na Defesa e nos serviços prestados pelo Estado. A apoiar e catalizar o desenvolvimento cientifico e tecnológico, seleccionando segmentos de actividades de negócio que mundialmente nos catapultem para a diferenciação no futuro, intrinsecamente ligados à nossa natureza geográfica (o mar e as serras);
- Se a vida pública continua a ser considerada como uma forma de se servir e não de servir, de satisfação do ego afectivo e material dos seus intervenientes;
- Se nos dedicamos, todos, diariamente a deitar abaixo o vizinho, a falar mal e a culpar os outros pela nossa falta de coragem, preguiça e individualismo, em todas as nossa tarefas diárias;
- Se continuamos a considerar o trabalho como castigo e o planeamento, a definição coerente e sensata de regras, o seu escruploso cumprimento, uma práctica de gestão competente e completa (envolvendo as responsabilidades sociais), como caracteristicas admiráveis em outros povos;
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terça-feira, junho 28, 2005

A verdade e o futuro de Portugal

Finalmente há Portugueses com credibilidade e poder de difusão das suas mensagens, que começam a falar o que há muito considero verdades inquestionáveis, somente abafadas pela teia de interesses e incompetências que ligam os poderes políticos e comunicacionais.
Finalmente se começa a falar do grande erro que é para Portugal, manter-se autistamente dependente do “Plano A” – União Europeia, sem ter em atenção todos os períodos históricos já vividos por este País, onde não deixando de depender do Continente a que pertence, sempre encontrou os seus complementos além-mar.
Finalmente se começa a falar nos engodos que as mesmas classes nos têm vindo a tentar convencer como solução para a saída desta crise. Finalmente se comenta a falácia da mais recente solução engendrada – a Inovação, pois ela passa pelo pressuposto que os outros não vão inovar. Quando os políticos Portugueses aprenderam a falar com verdade ao seu Povo?
Quando teremos políticos com coragem para as medidas difíceis que são precisas tomar?
Quando remeteremos os arautos do Liberalismo e da Globalização de volta para as Universidades, a ensinarem as técnicas e os Postulados da Economia, deixando aos verdadeiros políticos governarem os Povos, no pressuposto que economia e suas leis são uma ferramenta e não um fim?
Há alturas em que essas mesmas leis devem ser contrariadas a favor de um maior bem. Há que pensar no Proteccionismo conforme referido ontem por Prof. Medina Carreira nos Prós e Contras da RTP1 (uma das raras sessões deste programa, em que se acrescenta real e efectiva divulgação de informação aos cidadãos).
Pode estar muita coisa errada, mas será que se começa a falar verdade neste País?

quarta-feira, junho 01, 2005

Sobre o Tratado Europeu 1

Peço desculpa a Joaquim de Matos por usar alguns excertos do seu trabalho sobre Antero de Quental, mas creio que são úteis para a reflexão que há a fazer por todos nós:

“Na história das nossas letras, encontramos, entre os pensadores mais conscientes e mais preocupados, a chamada de atenção para a mudança da mentalidade portuguesa, como uma necessidade inadiável. Mas esta chamada de atenção tem passado desapercebida, ou então tem provocado desvios da matriz semântica desse apelo. E estes desvios têm sido provocados por razões étnicas, por razões políticas ou por ignorância. A alteração da mentalidade não põe em causa a especificidade do povo português, ou uma possível paideia portuguesa, defendida por António Quadros, nem implica uma absorção da nossa etnia por qualquer cultura estrangeira. Nem tão pouco pode servir de cobertura à importação ou imposição de qualquer ideologia, pois estas podem acontecer, substituindo o recheio da memória sem mexer com os comportamentos mentais. A mentalidade, que tem sido motivo de apelos angustiantes, tem a ver, precisamente, com os comportamentos mentais: com o estatismo genérico dos portugueses, isto é, com o seu passivismo mental, com a ausência de crítica reflexiva, com a generalizada utilização de conhecimentos modelados por institucionalização ou tradições. Quaisquer que sejam os valores que poderão conceptualizar um povo e que, respeitando-os, o poderão tornar maior e consequentemente menos carente, material e espiritualmente, a atitude dinâmica mental é que é requerida, como imprescindivelmente necessária, ainda que não suficiente. O estímulo para tal atitude, tanto pode partir do nosso espaço geográfico como do estrangeiro, sem que, partindo de um ou de outro lado, signifique que passemos a ser mais ou menos portugueses.
(….)
A mudança de uma mentalidade, estimulada por uma necessidade evidente, passa pela educação, pela cultura, pelo poder político, sem esquecer que a sua possibilidade está dependente da adesão voluntária do indivíduo, sem imposição, sem dogmatismos massificantes. A mudança tem de ser sentida como necessária para ser aceite, isto é, tem de ser desejada.
(…)
Uma mutação, ou mudança, implica ruptura. Antero provoca, de facto, essa ruptura? Essa ruptura é embrionariamente nacional? Essa ruptura admite uma análise conceptual? A ruptura, como é sabido, implica o desabamento de uma estabilidade aceite e cultivada, a perda das referências judicativas, o surto do fragmentário, do diverso, da mobilidade dialéctica, da substituição das certezas pelas probabilidades, da estagnação pelas iniciativas.
(…)
A mentalidade de um povo não se pode medir pelos valores de ponta desse povo. Terá de ser analisada a nível das suas vertentes qualitativamente e quantitativamente significativas, que são: a política, a educação, a economia, a finança e a cultura. E esta análise obriga a uma passagem comparativa por outros estados. Não podemos, orgulhosamente sós, medir a nossa mentalidade. Estamos em Portugal, mas também estamos na Europa, e também estamos no mundo. Isto significa que a curto prazo teremos de ser mais Europa e a médio ou a longo prazo mais mundo. E significa ainda, do nosso ponto de vista, que teremos de ser, nesta escalada, cada vez mais portugueses. Uma coisa é a mudança da mentalidade, repetimos, e outra é a definição e o fortalecimento da nossa identidade. Seremos mais Europa e mais mundo, quanto mais portugueses formos. Mas isto passa pela tal mudança de mentalidade.
(…)
A mutação da mentalidade portuguesa terá de passar forçosamente pelo poder. E esse poder só poderá ser eficaz se decorrer de uma verdadeira democracia, isto é, capaz de criar apetências na população, o sentido de autonomia, que exige o hábito de espírito crítico.
(…)
A Renascença Portuguesa lutou pela identidade do povo português, expurgando-a de todos os seus males atrofiantes e refrescando-a com as directrizes históricas do seu tempo. Isto é, o futuro e o progresso estavam nas suas preocupações sem prescindirem das características tradicionais próximas e remotas que definem a natureza do português, nas suas sensibilidades, nos seus sentimentos e nas suas potencialidades. Em termos simples, tínhamos de exercitar as pernas, musculá-las, mas as pernas teriam de ser as nossas, pois não podemos andar com as pernas dos outros.”

Como a mentalidade não muda, o poder não quer e não permite a autonomia e o espírito critico dos Portugueses, inclusive na validação do tratado, não me parece que seja útil e responsável a aprovação do presente tratado, pois independentemente do seu resultado e não efectuando nós, todos nós, as mudanças que precisamos, não seremos nada ou pouco mais que insignificantes no contexto de uma Europa alargada e competitiva. Não seremos mais do que os pedintes do canto Ocidental da Europa, pois só aparentemente só nos ouvem quando precisam do nosso voto para algo, e ouvem para saber quanto queremos (em subsídios para isto e para aquilo) para darmos o nosso voto. Resumindo, o problema de Portugal não está na sua localização geográfica, no seu clima nem na sua dimensão, está em todos nós. Também por isso, não vale a pena votar Sim. E não tenham receio pois a Europa continuará a existir, com alterações, mas continuará a existir. E quem sabe se não viremos a agradecer à França, pelo seu Não.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Eleições legislativas 2005 - Debate RTP

Tristeza e desânimo
- Tristeza pelo debate de ontem à noite na RTP1. Tristeza por todos os intervenientes, politicos e jornalistas, nos terem fornecido um concurso de vacuidades e demagogia. Só um perdeu e ainda bem que perdeu, porque não acreditando na ideologia se deve valorizar a sua seriedade e competência.
- Desânimo pela inexistência de lideres grandes que façam grande o povo.

Para onde caminha este País? - 1

Questões para reflexão e debate face ao sentimento por cada uma das àreas.

Para onde caminha este nosso País:
- Se mais de metade dos alunos do secundário, não consegue acabar os seus cursos com aproveitamento, e não se responsabiliza quem desenhou os planos e guias pedagógicos e educacionais para os vários níveis de ensino. Se se prefere continuar a responsabilizar o antigo senhor pelo atraso deste povo em conhecimentos, cultura, amor ao acto de aprender e fibra para enfrentar as dificuldades ( só se pode exigir - se lhes for dado. Mas tem que se exigir e ao mesmo tempo premiar o excepcional e não a mediocridade);
- Se o património histórico e cultural deste país com quase mil anos, continua por inventariar, deitado ao abandono e votado a actividades menos licitas, quando deveria estar dotado de um plano de controle central e gestão local, enriquecedor na variedade de experiencias culturais fornecidas a cada um dos cidadãos deste país;
- Se a educação continua a ser considerada uma ciencia, alienada da cultura e do desporto e do cumprimento de objectivos estratégicos, cientificos, tecnológicos, económicos e sociais para Portugal. Quando deveria ser considerada como a Gestão de recursos, no cumprimento de objectivos exigentes e a avaliação rigida de performance de todos os cidadãos intervenientes, no cumprimento de postulados e métodos cientificos e sociais;
- Se a Administração Interna se mantêm como uma coutada de múltiplos interesses corporativos e partidarios. Com uma estrutura de forças de fiscalização, policiamento e segurança aparentemente desactualizada na sua proficua variedade, descoordenação, competência e eficiência. Quando deveria estar preparada de modo a fazer face aos tempos actuais e preparada para prevenir os tempos futuros e dotada de meios que não envergonhem o Pais e quem serve nos referidos corpos policiais;
- Se a Justiça cada vez mais é para os ricos, dada a necessidade de bons advogados para se obter um bom e correcto acesso à justiça; pelo emaranhado de leis, interesses, ausencia de informação integrada e vontade de servir o mais humilde, acompanhada de aparentes e indicifráveis razões para a irracionalidade de alguns procedimentos;
- Se a Defesa está mais adequada a um País do Terceiro Mundo, não reestruturada e planeada para o Presente e Futuro. Pois mais uma vez há interesses coorporativos internos e externos, assim como um grosso bloqueio mental de certas forças politicas para encararem com serenidade e competencia, o real valor e necessidade de umas forças de Defesa e Segurança, dignas de um País que quer ser desenvolvido e acompanhar os Grandes, com o Bom senso da clareza da sua dimensão;
- Se a Saúde a Segurança Social e a Educação, bens incontornávelmente de acesso geral e público, se encontram mais uma vez entregues também a falsas politicas de melhoria e racionalização, que mais não aparentam ser que servir à mesa de interesses particulares e corporativos, o pouco que ainda há na despensa do bem público;
- Se todos os anos a área de floresta ardida é maior, sem que claramente se responsabilize criminal e politicamente. Sem que as estruturas de investigação judiciária neste país, sejam capazes de indentificar e acusar os grandes beneficiados com o crime quando é de origem criminosa (para cada crime há pelo menos um motivo e um beneficiado), sendo que tanto se justifica agora com a mão criminosa, incluindo politicos nas mais altas instancias no governo do país, e ano após ano, nada se vê fazer para eliminar tão grande e tenebrosa organização criminosa. Ou será que o crime é somente o mais comezinho e baixo de todos(se é possível no crime haver prémios de grandeza, competencia e desempenho); caracterizado pelas classes politicas, desde a central à local, passando pelas estruturas de prevenção e combate aos incendios e pelas actividades comerciais privadas, se envolverem em teias de corrupção e incompetência. SEM FALAR dos rios, das licheiras, das reservas, dos lençois freáticos, do mar, do ar, do ordenamento urbanistico, etc...;
- Se a estratégia que as elites portuguesas têm para o país, é o Turismo, o pacto de estabilidade e a mendicidade/um cargo, junto de Bruxelas. Quando deveriamos vê-los envolvidos na definição de planos estratégicos para o País a médio e longo prazo e sua integração com a aposta em postulados e critérios de exigência e excelência na Educação e Cultura, na Saúde, na Administração Interna, na Justiça, na Defesa e nos serviços prestados pelo Estado. A apoiar e catalizar o desenvolvimento cientifico e tecnológico, seleccionando segmentos de actividades de negócio que mundialmente nos catapultem para a diferenciação no futuro, intrinsecamente ligados à nossa natureza geográfica (o mar e as serras);
- Se a vida pública continua a ser considerada como uma forma de se servir e não de servir, de satisfação do ego afectivo e material dos seus intervenientes;
- Se nos dedicamos, todos, diariamente a deitar abaixo o vizinho, a falar mal e a culpar os outros pela nossa falta de coragem, preguiça e individualismo, em todas as nossa tarefas diárias;
- Se continuamos a considerar o trabalho como castigo e o planeamento, a definição coerente e sensata de regras, o seu escruploso cumprimento, uma práctica de gestão competente e completa (envolvendo as responsabilidades sociais), como caracteristicas admiráveis em outros povos;
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terça-feira, fevereiro 15, 2005

O Método Social-Democrata - 1

A Social Democracia, continua nos tempos de hoje, até melhor ser construído, a melhor das filosofias governativas, dado o seu ecletismo sociológico e ideológico.
É ela que permite criar um espaço filosófico de discussão e conjunção dos vários modelos ideológicos, no fundo, concertar e gerir os vários universos e necessidades da sociedade no respeito pela dimensão universal do individuo, sempre numa lógica de acção prática.
É o método que permite defender a lógica de mercado em equilíbrio com a segurança social – no respeito do modelo social Europeu, tido como uma evolução positiva dos valores sociais e humanos.
Como método filosófico de gestão de contrários, carece de intervenientes com elevado grau de formação politica, técnica e humana, dado que sofrerá na sua prática, o continuo esforço de contrariar desequilíbrios e ataques de qualquer dos espectros ideológicos, da direita à esquerda – quer pela sua natureza revolucionária quer pela visão individualizada e homogénea dos diversos factores sociais.
Em Portugal, esse método caiu literalmente em extinção, quer pelo endeusamento da liberalização e globalização quer pela ausência de intervenientes políticos que na sua prática garantissem a sobrevivência do método social-democrata.