terça-feira, janeiro 31, 2012

A Reforma Curricular

Contributo para a Revisão Curricular – Jan 2012
A oportunidade de revisão da estrutura curricular, é urgente dada a crise civilizacional em que vivemos e o tempo que é necessário para que qualquer modelo dê os seus frutos (Na China existe a noção clara de que para formar completamente são precisos 100 anos) e ao mesmo tempo critica para reverter o declínio da qualidade da formação académica e preparação para o desenvolvimento da sociedade (A China produz todos os anos cerca de 25000 Engenheiros que competem com, e, facilmente suplantam os produtos dos sistema educativo ocidental, em qualidade e disciplina de estudo e trabalho). Este é o principal dilema e objectivo de reacção com que nos enfrentamos como País, que não tem recursos naturais dos quais possa viver – só temos a massa cinzenta e o Mar).
O sistema educativo mundial está também em competição acelerada para o empreendedorismo dada a escassez de recursos naturais e financeiros que suporte o crescimento da população mundial – e não se pode negar a qualquer ser humano a aspiração à melhoria da qualidade de vida.
Para não adiantar muito no enquadramento, resume-se que Portugal e o seu sistema educativo está e deve ter presente na cabeça de todos os seus agentes e decisores, esta forte pressão competitiva.
Esta pressão competitiva não deve contudo levar-nos a desvirtuar a matriz civilizacional do Ocidente e neste postulado é muito importante a manutenção, defesa e exigência dos conteúdos e métodos pedagógicos na área de humanidades e o verdadeiro respeito pela NOSSA cultura ao longo de todos os níveis de ensino. Até porque serão os aspectos civilizacionais e não os económicos que na altura certa, servirão de agente de equilíbrio entre os restantes poderes.
Neste macro enquadramento, como olhar para a oportunidade da revisão curricular?
Lamentavelmente estamos mais uma vez a dedicar-nos a uma ferramenta, a um pormenor, sem primeiro definirmos os objectivos a atingir – para então depois o fasearmos, de seguida vermos com que ferramentas cumprimos cada fase, quem são os responsáveis pela execução das suas fases e actividades, em que horizonte temporal e depois quais os mecanismos de controlo e ajustamento da sua evolução face ao objectivo e a evolução do exterior que não controlamos.
Como ferramenta, esta até nem é a ferramenta educativa mais prioritária a que deveríamos dedicar atenção – a mais importante são os programas que devem ser desenhados do fim (Licenciatura/Doutoramento/Curso Técnico) para o inicio (1º Ciclo ou mesmo pré-primário), a par da revisão da estrutura de manuais e autonomia escolar para a elaboração de compêndios adicionais, de apoio e reforço aos programas nacionais – não numa lógica de negócio local mas apoio social às famílias, ajustamento dos programas nacionais à realidade social de cada escola, ao sucesso académico que se pretende o maior e mais abrangente possível e a saudável e necessária competição inter-escolas.
A pretexto da revisão dos programas e manuais, anexo texto de quem mais sabe do que este Pai interessado – um professor: 
Vamos então á revisão curricular.
Começo por uma nota positiva sobre a proposta efectuada pelo Ministério da Educação, a supressão de disciplinas/carga horária na área das novas tecnologias sem grande valor acrescentado para o referido sucesso académico porque:
- maioritariamente eram desfasadas da realidade social – (necessidades individuais de alguns ou vários alunos / regiões do País, em ferramentas e skill’s informáticos deverão ser alvo de apoio adicional a elaborar pelas escolas, decidindo caso a caso, se em regime extra currículo ou integrado num plano de turma e apoio interdisciplinar) e;
- estes objectivos deviam ser parte integrante dos programas e métodos pedagógicos das disciplinas nucleares.
Outra disciplina que no objectivo era louvável – educação par a cidadania, na prática, a mesma é muitas vezes usada para tentar resolver os problemas de indisciplina da turma, que um inexistente e verdadeiro código disciplinar escolar devia resolver (um código único que abranja, alunos, Pais, Professores, gestores e auxiliares e técnicos de apoio). Outras vezes é usada como tempo lectivo remunerado usado para reforço de matéria não dada em alguma disciplina nuclear ou que necessite de reforço.
A sua supressão é pois justificável, se os objectivos que nortearam a sua criação, forem enquadrados na revisão dos programas (a fazer) e se os problemas que na prática ela estava a tentar resolver, forem resolvidos pelas ferramentas, processos e responsabilidades que deviam estar a resolve-los.
Quanto à distribuição de tempos da proposta de revisão curricular, é difícil ser responsável na elaboração de uma proposta consequente sem a necessária reanálise dos programas.
Contudo há algo que se pode apontar como falha neste programa e que se resume a um dito antigo – “corpus sanus in mente sanus”. Cuidar do corpo e da mente, para além da aquisição de conhecimentos. E em todos os sistemas educativos eficientes no seu funcionamento e eficazes no que respeita ao sucesso de um povo, levam bastante a sério a componente de formação física e formação crítica e argumentativa.
A componente de formação física está directamente associada a criação de condições de saúde e atitudes mentais face ao esforço e disciplina que são necessárias para se atingir também os objectivos académicos. É uma disciplina em que mais do que os movimentos e modalidades que se executem, se deve dar primazia a criação de atitudes individuais e cívicas, social e academicamente desejadas.
Outra metade, é a criação de métodos e práticas de pensar antes de falar, analisar para depois criticar, estruturar ideias para depois argumentar.
Ora o que se vê é uma falta de apoio à componente de educação física (e não é forçoso que sejam necessários investimentos em infra-estruturas, se se privilegiar a aquisição de atitudes e não a execução de modalidades) e a continua desistência da filosofia.
E mais uma vez, a pretexto da filosofia no ensino oficial, anexo dois textos de quem mais sabe do que este Pai interessado – os professores:
Defendo a inclusão da Filosofia na estrutura curricular, desde o 2º ciclo e o desenho de protocolos de actividades a desenvolver na 2ª metade do 1º Ciclo.

domingo, dezembro 25, 2011

A todos

A Cristãos das mais variadas igrejas, a muçulmanos nas suas varias divisões, a judeus onde quer que andem, a Taoístas, Confucionistas, Budistas e Hinduístas do outro lado do planeta, a todos corre o sangue nas veias, a memória dos antepassados os formata, o futuro dos seus filhos os angústia, a todos a tristeza e a alegria é conhecida, a todos é exortado o bem e a sua prática, a todos o desejo de um bom futuro a começar .... agora.
Bom Natal e Feliz 2012

Quando os homens bons se reúnem....

Um homem pela humanidade


Um homem por um projecto de paz e desenvolvimento
 

Um homem por um ideal politico e social
 

A crise politica e de falta de rumo para a Europa II

João Paulo II, dirigindo-se à Europa afirmava:

“Não temas! O Evangelho não é contra ti, mas a teu favor. Confirma-o a
constatação de que a inspiração cristã pode transformar a agregação política, cultural e
económica numa convivência onde todos os europeus se sintam em casa própria e
formem uma família de nações, na qual se possam frutuosamente inspirar outras
regiões do mundo.” (Exortação apostólica Ecclesia in Europa, 121)

sábado, dezembro 24, 2011

A crise politica e de falta de rumo para a Europa

"Nesta viragem do milénio, em que a dependência externa da Europa em segurança, em reservas de energia, em matérias-primas, em supremacia estratégica, aprofunda a meditação sobre a opção por uma forma de governo, não necessariamente imitativa da experiência americana, não deve, todavia, perder-se de vista essa experiência, designadamente se a unidade ocidental exigir o reforço da solidariedade passada, sem perder o sentido das identidades.
(...)" - Adriano Moreira, in Prefácio a "Federalismo - das raízes americanas aos dilemas europeus"

A reforma curricular

Está em curso a reforma curricular, no presente momento aberto à discussão pública.
Pergunto:
- Só os do meio e do eduquês irão participar, ou a sociedade também se irá envolver?
- Alguém reparou na perpetuação de uma despreocupação com a Filosofia e com a arte de reflectir?
- Alguém se preocupa na escola com a aquisição de capacidades argumentativas e de discussão de ideias?

Fado do retornado

É longe a vida que se sonha
um sentido pelo tempo em que se vivia
A terra vermelha e o sol forte
que com humidade ou secura
nos fez amar a vida com fartura

São tristes as lembranças do adeus
É dolorosa a saudade de voltar e não conseguir
São lembranças, são amores, é fado luso, é fado africano

É nunca estar na terra nossa, porque nossa é sempre outra terra
É ser sempre afastado, agredido por amar mais do que uma terra
É este o fado luso, é este o fado africano, é este o fado de amar
mais terra que a um homem é permitido
É fado, é fado luso-africano

terça-feira, agosto 23, 2011

Nada se inscreve quando tudo se deve inscrever

Estamos perante tempos em que a desgraça é muito fácil e produtiva, principalmente para quem até a poucos meses a negava e ganhava negando-a. Hoje são os mesmos que ocupam os espaços televisivos. Não há sanção ou penalização possível de aplicar neste País. “Nada se inscreve” na moral e acção deste povo. Passamos adiante sem tirar as devidas análises e responsabilidades pelo estado a que chegámos – porque a ninguém interessa. A uns que ganharam com esse caminho, a outros que não o viram mas não querem reconhecer a sua incompetência, outros porque ainda esperam que algo continue a “pingar”, outros (e muitos) por medo que “deixe de pingar”.
Onde andam os intelectuais? Envergonhados, certamente, os mais conscientes.
Onde andam os poetas? A escrever textos publicitários, provavelmente, ou a publicar livros ocos de consciência cívica e patriótica.
Onde andam os jornalistas? Nunca se fabricaram neste País.
Onde andam os dramaturgos? A escrever telenovelas.
Onde andam os Juízes? Com medo que lhes aconteça algo equivalente ao que está a acontecer a Baltasar Garzón. Entretêm-se com o recibo do ordenado e a qualidade do lápis, do texto e do papel, para não olharem pela qualidade da democracia.
Onde anda a consciência deste País? Sempre distraída e sempre a permitir a repetição das desgraças deste Povo.
Onde anda a consciência deste Povo? Nos corredores do shopping-center, nas negras telenovelas do Futebol, nos ecrãs das telenovelas e reality-shows, e mais uma vez na angústia de esticar a “jorna” até ao final do mês, porque assim permitiu, porque mais uma vez escolheu deixar-se enganar pelos vendedores das árvores das patacas, dos ouros do Brasil… e mais uma vez acabou, e muito pouco deixará para as futuras gerações.
O que fazer? Cada um a sua parte, gastando menos do que tem, trabalhando mais do que deve, preocupando-se mais com o outro e com a comunidade, exigindo mais e reclamando menos.

quarta-feira, julho 20, 2011

Levar o pobre à prosperidade

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação".
Adrian Rogers, 1931

Um beneficio terá de estar sempre compensado por um custo, um direito terá de ser sempre obtido após o cumprimento de um dever, e a compaixão - único valor que nos impede de criar uma sociedade animalesca, é devida mas deve ser temporalmente limitada.

Estas devem ser as regras básicas de gestão de uma sociedade e da acção de cada um de nós na mesma. No meu entender, estas regras são a própria essencia da práctica da verdadeira cidadania.

terça-feira, abril 26, 2011

Pensar ou engordar?

Texto recebido em mail tipo “corrente”

“OBESIDADE MENTAL
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polemico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
- «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
- Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
- «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados,videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção...
é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado
"OsAbutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
- «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades:
- Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
- Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.
- Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
- Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
- «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil...paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
PRECISA SOBRETUDO DE DIETA MENTAL.
Texto – Prof. Andrew Oitke”

Fim de citações e cópias.
Parece que nem autor nem livro acima referido, tenham alguma vez existido.
Este facto associado ao conteúdo deste mail tipo “corrente” que circula na Net, permite-se a muitas interpretações, em que a forma (honestidade e intenção) e o conteúdo se confirmam e se desmentem…. no meu ver, confirmam-se mais do que se desmentem.

quinta-feira, abril 21, 2011

Os Mega Agrupamentos e o Provincianismo Amoral

"Sucede, porém, que a grande maioria das instituições de ensino, tanto oficiais como particulares, lutam com a dificuldade de obtenção de material, dificuldade que  muitas vezes, por falta de um organismo centralizador destes serviços, vai mesmo à impossibilidade."
Bento Jesus Caraça - Artigo assinado, em O Século, Ano 49º, nº16846(31 Jan), Lisboa 1929, p.2.
Os Mega Agrupamentos têm lógica numa preocupação pela gestão eficiente, eficaz e consciente dos tempos e prioridades que vamos ter que enfrentar. Os Mega Agrupamentos fazem mais sentido e razão que a razão das "quintas" e "capelinhas", dos pequenos poderes que se sentem ameaçados, porque deixam de ser aquilo que são "somente pequenos e narcísicos poderes".
Mas os Mega Agrupamentos também podem ser uma monumental trapalhada se mais uma vez uma boa ideia não for consistente e resistente pela e na sua organização, planeamento, atenção as variáveis organizacionais e respeito pelas responsabilidades e independências pedagógicas, como quase todas as ideias que nos últimos anos têm nascido na 5 de Outubro.

segunda-feira, abril 11, 2011

Cidadania e participação politica

Sempre que um cidadão não pertencente a um Partido, resolve aparecer no palco político, pergunta-se - Há espaço para a participação cívica fora dos partidos? Claro que há sempre espaço para a participação cívica, desde que o cidadão assim o deseje e tenha razões e não estratégias oportunistas e fogachos na sua acção.
Se em sociedades ditatoriais vão acontecendo revoluções decorrentes da mobilização civil porque não haverá espaço em Portugal? Mas os portugueses terão vontade? Haverá suficiente número de portugueses com arrojo consistente ou não mais do que a cultura do individualismo? Há participação nas associações de Pais, de moradores, de colectividades? Ou não é verdade o constante sacrifício dos poucos que têm iniciativa cívica, sacrificados quer pela falta de apoio, quer pela constante exposição à inveja e gratuita e fácil calunia?
Só mudará alguma coisa, quando cada um assumir a sua responsabilidade no destino do todo - do bairro, da associação, da colectividade, do País.

domingo, março 13, 2011

Geração à Rasca - A manifestação

Ontem provou-se que muito dificilmente podemos contar com quem vive do sistema para honestamente acompanhar a sociedade e servir de arauto do comum dos cidadãos - sejam jornalistas, certo tipo de politicos e sem somre de duvidas, a totalidade dos comentadores residentes em todos os canais televisivos e da escrita.

Estiveram várias gerações, várias sensibilidades, vários grupos, todos integrados.
Um mar de gente, que estava ali por descontentamento, mas ao mesmo tempo feliz porque finalmente se sentia pertença e não sozinho no sofrimento da(s) crise(s).

Houve uma sensação de uma reclamação, mas não dirigida;
Houve uma reclamação não consequente porque não orquestrada.
Mas houve a sensação de que afinal é possível, afinal há energias neste povo, talvez seja possivel fazer acordar estas energias, que pelo civismo demonstrado ontem, podem ser construtivas, assim quem de direito preste atenção ao que ontem se passou, a alternativa tambem poderá acontecer... e quem lá esteve ontem, viu que afinal tambem é possível.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A saúde mental dos Portugueses - uma reflexão livre

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21



Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos

ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso

Médico psiquiatra

O Modelo Civilizacional Europeu e o Sistema Nacional de Saúde

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

A cultura e a arte na educação

Com este artigo não pretendo teorizar sobre estudos e postulados; pedagogias e defensores da arte no sistema de ensino; ensaios sobre artes maiores e artes menores.
Pretendo sim iniciar uma reflexão sobre a necessidade da arte e cultura como veículo de enriquecimento do cidadão de amanhã. A arte como experimentação da liberdade de ser, de pensar por si, de se afirmar, de argumentar, de se impor pela razão e pela palavra e não pela força e pelo punho.
Falo da arte e cultura nas escolas para além das visitas de estudo a estruturas artísticas (museus, palácios) e eventos culturais (teatros infantis). Falo da arte e cultura vivida dentro da escola, como factor de orgulho individual da criança e integração social das suas diferenças.
A arte e cultura nas escolas como práticas de desenvolvimento e descoberta individual – a obra literária, a escultura, a pintura, a retórica, os grupos de teatro escolar, os grupos de música da escola.
Vivemos uma era onde a tecnicidade é um factor preponderante e inultrapassável, mas a excelência da educação – como formador de um bom cidadão, só é atingida por uma educação nas artes, no desporto e na filosofia.
A cultura grega, berço cultural da civilização ocidental, acreditava que a sua cidade – estado iria tornar-se a mais forte se cada menino desenvolve-se integralmente as suas aptidões.
Na escola grega, “ o homem forma-se segundo um crescente domínio de si, pela libertação de seus instintos, desejos e paixões, que devem ficar submetidos à razão. Para alcançar tal ideal propõe a ginástica, para desenvolver o corpo (nós estamos a caminho de reduzir o empenho no desporto escolar), e a música, com a leitura e o canto das obras dos grandes poetas, para o espírito (nós com uma estratégia de colocar a filosofia em agonia, o ensino da história desconexada de uma mensagem civilizacional e o ensino minimalista do português e dos seus vários autores criando uma perda de identidade como povo). Esse programa educativo tratava de desenvolver no homem a qualidade da temperança e que implicava um perfeito domínio de si, aliado à sabedoria.”
Esta escola que espelha um ideal de formação do homem em suas várias esferas (social, politica, cultural e educativa), a Paidéia – esta palavra não pode ser traduzida como educação, pois significa mais do que isso, significa também cultura, instrução e formação do homem. É colocar o homem a par de todo o conhecimento necessário para a harmonia consigo próprio e com a comunidade ao seu redor.
A encruzilhada civilizacional que vivemos, exige processos críticos, criativos e humanistas, só possível com uma educação completa que forma cidadãos completos, para agentes criadores e condutores de mudanças. O homem como centro mas ao serviço da comunidade e da sua variedade, é o desafio que a escola do séc.XXI deve vencer, sem descorar o conhecimento técnico e científico, também ele carente de imaginação, criatividade, liberdade e razão.
Precisamos também de uma escola que reintroduza os valores produtivos do passado; valores de trabalho, esforço, mérito, persistência, objectivos e metas individuais e colectivas.
Precisamos de uma nova cultura de identidade - não saudosista nem renegada do nosso passado mas uma identidade global, dando e tomando conhecimento e partilha, com e do outro, com integração e transmissão intergeracional, incentivadora de produtos culturais (textos, esculturas, peças de teatro, musicas, etc.) e que aceite sempre a dúvida e a critica, mas também a decisão e a coragem, para irmos evoluindo.
Estarão preparados os currículos de cada nível de ensino, de formação do magistério primário e das escolas superiores de educação, para atingirmos este objectivo? Terá a lógica corporativa dos vários agentes educativos, espaço para pensar e agir abnegadamente a bem geral, sem ser só na defesa de estatutos, regalias e vencimentos? Estará a comunidade educativa pronta para exigir uma nova arquitectura do aparelho público responsável pela educação dos Portugueses?

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Sobre o estado do PPD-PSD

Estas são ideias e contributos. Não são mais do que microgramas, não é mais do que um acto de cidadania.
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Carta aberta a todos os militantes do PPD-PSD

A urgência de uma boa escolha no presente para não hipotecar o futuro

Caros cidadãos,

No âmbito da minha responsabilidade individual e o momento que vivemos, tomei como possível e por vós desculpável dar-vos a conhecer algumas das minhas ideias sobre o PPD-PSD, os Portugueses e o País.
Começo a minha partilha de ideias com a cópia de um Post do Dr. Pacheco Pereira para enquadramento do tema (estou certo que ele me desculpará o abuso).
Não pretendo mais do que ajudar a acender uma pequena fogueira a roda da qual possamos todos trocar opiniões e debater o futuro do País e do Partido, a nível nacional e a nível local.


SETAS, COR, FUNDAÇÃO E HISTÓRIA

Neste caso, Menezes apenas prosseguiu um caminho de descaracterização iniciado por outros. Começou na JSD, ainda no tempo de Cavaco, e, depois acelerou-se com Durão Barroso continuou com Marques Mendes. Menezes deu apenas mais um passo, ao substituir o laranja pelo azul no fundo. A cor laranja, sabemos por vários relatos, foi escolhida em 1974 porque não havia outra disponível, mas a verdade é que a cor ficou como um traço forte de identidade feito pela história do PSD. Se dissermos os "laranjas", os "laranjinhas", sabe-se que falamos do PSD, se dissermos os "vermelhos" é com o PCP. Os outros "vermelhos", os do PS e os azuis, ficaram sem identidade colorida.

Apagar a cor é um passo significativo à luz dos dias do presente, mas, do ponto de vista simbólico, para o PSD é mais importante o que se passa com as setas do que com a cor. A cor tem a ver com a história, as setas com a fundação, o acto genético que para bem e para mal, é a marca de fundo do PSD. Ora as setas são três e não uma, e a sua transformação numa única significa apagar da memória do partido de onde é que vieram estas setas e por que razão Sá Carneiro e os fundadores as escolheram como símbolo.




Desenho de Cid que estava no sítio do PSD.



A origem das setas é a resistência da Frente de Bronze, de que faziam parte os social-democratas alemães, contra o nazismo, e essa génese foi descrita num texto de Pedro Roseta. Os resistentes alemães usavam as três setas para estragar o efeito da cruz gamada, e isso vinha descrito num livro de culto que era lido pelos que tinham possibilidade de o ler, porque estava proibido pela censura antes do 25 de Abril. Esse livro de Tchakhotine, A Violação das Massas pela Propaganda Política, foi certamente a fonte do símbolo, como se pode ver na reprodução aqui ao lado de uma das gravuras do livro. As três setas eram de um modo geral desenhadas de cima para baixo (quando virei a bandeira do PSD estava mais perto do seu símbolo do que com esta coisa...) e significavam por parte dos fundadores a procura de uma fonte de legitimidade política para o partido, que não tivesse uma raiz marxista (como no PCP e no PS), nem conservadora. Essa procura resultou num híbrido muito especial entre o personalismo cristão, o liberalismo político e a social-democracia. Esse híbrido foi feito pela história do PSD, o "programa não escrito", e cortar qualquer uma das suas componentes genéticas é alterar o carácter do partido. Pode parecer incómodo para muita gente que as três setas sejam as mesmas do cartaz do lado, mas a história é assim, é o que é, e deixa marcas. Sem as marcas, somos outra coisa. Fazê-lo por razões de marketing, imagem e publicidade, indo para a seta única, substituindo as "antiquadas" três setas, como o PS fez com o punho, e pintar o partido do estandardizado azul (na verdade o mesmo azul da CDU e pelas mesmas razões), significa ou ignorância, ou novo riquismo deslumbrado, ou as duas coisas. Não sei se foi esta "mudança de imagem", a da setinha rabiante, , que a Somague pagou ilegalmente ao PSD. Se foi, foi um bonito serviço.
Se querem modernizar as setas, são as três setas que têm que modernizar e não uma. Se querem des-laranjar o partido têm que encontrar melhores razões do que o marketing. Se querem fazer um "novo partido", deixem este aos que ainda são fiéis ao legado de Sá Carneiro.”
Caros cidadãos, creio que neste momento ninguém tem dúvidas do estado de desnorte do partido, da sensação de vazio que já ultrapassa a simples terapêutica que jocosamente (e desprestigiante) tanto se fala - que basta atingir o poder para que a maleita passe. Não acredito e creio que qualquer militante do PPD-PSD está certo do mesmo.
Não creio que o problema seja só a má ou boa qualidade política e técnica dos dirigentes dos últimos anos, ou as suas aspirações individuais, ou a perca de coesão entre as estruturas nacionais e as estruturas locais. Também não creio que “as facções” sejam um problema para o partido, são desejáveis e saudáveis as diferentes visões e posturas políticas, que encontrem enquadramento na matriz híbrida do PPD-PSD. Existe sim um problema de personalidades, mas que é conjuntural e permanente enquanto os militantes assim o desejarem e aceitarem dentro do PPD-PSD.
Mas estes são pequenos grandes problemas internos que temos responsabilidade de resolver.
O problema maior – a doença do PPD-PSD, é o distanciamento da sociedade portuguesa. Creio que só se descobrirá e resolverá o problema, a doença do PPD-PSD – recentrando, refocalizando, redescobrindo. Tendo propostas. Utilizando uma dialéctica moderna.
Qualquer processo de decisão e/ou redescoberta, passa sempre por um período em que nos questionamos, em que procuramos resposta a algumas perguntas nucleares.
Neste momento do País é esta a questão que está em cima da mesa – que futuro social, político e económico querem para o País?
Neste momento da militância, é esta a questão que está em cima da mesa – que ideias, energias, sacrifícios e coragem estão disposto a fazer para bem do Partido para assim ele poder cumprir o seu dever para com o País e os Portugueses?
Neste momento difícil do País e do Partido, é esta a questão que está em cima da mesa – que Partido o “companheiro” quer ter?
A ordem das questões procura salientar o carácter instrumental de um Partido, a bem de um País, uma Nação, uma Pátria e um Povo. Um Partido só cresce na medida que trouxer uma resposta a um Povo.
O aprisionamento do Partido por lógicas narcisistas, egocêntricas e de auto-alimentação levará mais tarde ou mais cedo à sua triste morte, ou à sua definitiva transformação num Partido que não vive para lá do “seu proprietário político” (Nacional, Distrital ou Local), à semelhança do que se passa com o CDS e em certa medida com o Bloco de Esquerda.
Estou convencido que o Partido só se reencontrará quando simultaneamente se virar para dentro e para fora de si.
Para dentro de si, no respeito à sua génese e à sua mensagem – humanista e de verdadeiro e único defensor de uma vivencia plena da liberdade do individuo (educada, responsável e em comunidade), liberdade de pensar, de fazer, de criar e de arriscar;
Para fora de si adaptando-se aos tempos, às novas gerações e à rapidez vivida nos processos sociais – económicos, associativos, informativos e comunicacionais, ecológicos e de formação de uma opinião pública activa (caracterizada pela inconstância). Terá para isso de alterar a sua própria estrutura e abrir o seu funcionamento aos diferentes poderes locais;
O Partido deverá se reestruturar em função de um núcleo ideológico e um programa a defender.
O ser humano é e será sempre um ser onde habitam os contrários e se degladiam as respectivas forças geradoras. Assim é com o ser humano, assim é na família, assim é na sociedade.
Então como respeitar e promover a liberdade individual, acompanhar a rapidez dos processos sociais, disponibilizar um conjunto de regras socialmente estruturantes e promover um desenvolvimento sustentável?

Reintroduzindo a Social-democracia.

Mas dirão muitos: Não existem mais partidos que se apresentam mais Sociais-democratas do que o PSD? Não é este um modelo de resposta do Século passado, logo não moderno, não do Século XXI, não teremos de criar uma coisa nova?
Eu digo que não. Primeiro porque a verdadeira Social-democracia não se representa em símbolos e marketing político. Representa-se na prática e na acção governativa. Representa-se permitindo a modernização das infra-estruturas que sirvam os muitos e não só alguns, representa-se criando um ambiente de confiança entre os agentes do mercado ao mesmo tempo que se cria um efectivo respeito pelo estado como entidade de bem, universal e equidistante. Representa-se retirando o estado como agente condicionador quando não persecutório das decisões contrárias à agenda politica partidária. Representa-se fomentando a criatividade dentro da sociedade civil e incentivando e apoiando os projectos que com ou sem fins lucrativos, revelem uma preocupação e serviço social. Representa-se fomentando um desenvolvimento económico e social condicionado por limitações impostas pela sustentabilidade ecológica. Representa-se aplicando politicas de desenvolvimento social, de desenvolvimento de sectores económicos e de criação de um espaço de autonomia, não limitado ao espaço territorial, mas numa lógica de simbiose entre Portugal e os três espaços de afinidade em que nos integramos – Estados Unidos, CPLP e UE. Representa-se defendendo a comunidade/Portugal e não o interesse particular e/ou externo. Representa-se fomentando produtos nacionais exportáveis e não o continuar de uma lógica económica que nos torna ricos no supérfluo e pobres /dependentes no essencial. Representa-se apoiando a acção governativa na opinião dos mais competentes, isentos e representativos cidadãos de cada sector da sociedade. Representa-se apoiando o desenvolvimento dos mais necessitados mas numa lógica de contrato, responsabilização e quebra do círculo de perpetuação da pobreza – criando dignidade individual e não alimentando uma cultura assistencialista que hipocritamente garante a manutenção da pobreza e das indignidades humanas. Representa-se tornando os códigos legislativos, racionais, claros, consequentes, céleres e elaborados com isenção de propósito, ganho ou estratificação social. Representa-se formando, educando e promovendo uma cultura de responsabilidade cívica, de cidadania, de respeito pelo trabalho, pelo mérito e pela responsabilidade social. Representa-se pondo a economia ao serviço da sociedade e da política e os direitos individuais e colectivos ao serviço dos deveres individuais e colectivos.

Quanto à actualidade da filosofia e do conceito. Só o escamoteamento da estrutura e génese da cultura Ocidental, permitirá sofisticamente fazer esquecer que a mesma se fez e existe pela defesa de um conjunto de valores e filosofias, com especial relevância para as que vêem da Antiga Grécia. Não é a idade das ideias que determina a sua actualidade, é a sua resposta às aspirações do indivíduo e de um Povo, é a selecção natural das ideias, efectuada pelas sociedades e civilizações, que determinam a sua morte, continuidade ou adaptação. E essa selecção é feita sempre pela utilidade das mesmas - no seu serviço à sobrevivência e prosperidade cultural e civilizacional de um povo.
Dadas a natureza de valores da sociedade europeia – respeito pela vida, liberdade do indivíduo, progresso e bem-estar material, assim como a cultura negocial e permanente entre o povo e as suas estruturas representativas – trocando algumas limitações aos direitos por alguma estabilidade social e regulatória, nada me parece oferecer melhor garantia de realizar as múltiplas missões e desafios a que estamos sujeitos, senão a Social-democracia.
Mas falo da Social-democracia híbrida, Portuguesa, do PPD-PSD, como gerada e contextualizada pelos fundadores do Partido. A Social-democracia que resultou de uma génese nacional e não importada como a efectuada em tempos pelos restantes Partidos Portugueses.

Falo, relembro e defendo regressar à matriz Social Democrata que “(…) resultou num híbrido muito especial entre o personalismo cristão, o liberalismo político e a social-democracia.”

Defendo apresentar a Social-Democracia ao Século XXI e apresentar o Século XXI à Social-democracia.

A Social-democracia que respeita e efectua a síntese entre a matriz cultural e social vivida e em que vive o povo português e as suas aspirações. Uma Social-democracia que verdadeiramente lute contra uma realidade caracterizada por um condicionamento da vontade e da liberdade de em responsabilidade ser diferente, ousar construir, ser independente e dono do seu próprio caminho e valor.

Condicionamento imbuído na sociedade pelas intenções e acções manipuladoras, controladoras e limitadoras da liberdade individual, dos partidos da esquerda portuguesa, do PS ao Bloco de Esquerda, da cultura à economia, passando pela estrutura do estado, correndo o risco de atingir o próprio acesso a serviços públicos de qualidade por qualquer cidadão – razão contrária à existência de um estado isento, de uma sociedade livre e de um modelo social europeu que se identifica com a própria matriz civilizacional ocidental.

Este condicionamento ocorre ao mesmo tempo que cada português sonha com a felicidade suprema que sabe só ser possível atingir pela ousadia de tentar, arriscar e construir um caminho e um projecto livre e resultante do esforço individual.

Para que os portugueses se sintam estimulados a serem livres e a lutar pela sua verdadeira liberdade, não pode o PPD-PSD desistir de lutar por constituir e disponibilizar aos portugueses todas as ferramentas liberais necessárias ao seu desenvolvimento e ao desenvolvimento de Portugal.

A Social-Democracia nunca poderá andar dissociada da responsabilidade de fiscalizar a filosofia de mercado. Cabe à Social-Democracia do Século XXI, posicionar-se como filosofia de gestão equidistante de contrários; definir e controlar um limite social e político para a aplicação da filosofia de mercado e as respectivas consequências da globalização, mundialização assim como da necessidade sociológica de perpetuar o estado nação como garante e defesa da identidade de um povo assim como veículo de expressão das suas aspirações e anseios nos diferentes fóruns mundiais.

Promover a iniciativa privada independente do dirigismo estatal e político, ao mesmo tempo que assegura o planeamento e a justa redistribuição das riquezas geradas.

Cabe também ao PPD-PSD garantir a identidade nacional num contexto transatlântico, ibérico, europeu, lusófono e mundial.

Também por isso se justifica a Social-Democracia pragmática e portuguesa, só possível de encontrar e ser representada pelo PPD-PSD. É nesta mestiçagem ideológica que se revela a razão do vínculo afectivo e sociológico que liga o PSD a Portugal e aos Portugueses – daí em tempos ser o Partido mais Português de Portugal, daí se justificar a natureza interclassista do Partido. Desta relação só se justifica o rigor, a competência e o servir na causa pública, por todos os militantes do PSD.

Cabe-vos também defender uma reserva de funções e actividades sociais, directamente ligadas às funções do estado, que não podem ser campo de desenvolvimento e implantação de lógicas liberais e de mercado desregradas.

E este renascimento terá de começar no interior do partido – sua vida interna e seu relacionamento com a Comunidade.

A abertura à sociedade terá de passar da intenção à prática, assim como a liberdade e igualdade entre cada militante.

Pela abertura à sociedade, aumentar-se-ão as responsabilidades e consequências para as diferentes estruturas do Partido, com especial importância na reestruturação das estruturas locais, conjugando a lógica de objectivos e responsabilização à lógica do voluntariado e responsabilidade cívica dos seus responsáveis, para também assim, serem mais inequívocas e meritórias as retribuições e apreços que o partido e o País não deixarão de reconhecer.

Para a efectiva igualdade entre militantes e resgate de credibilidade perante o povo – demonstrando começar em casa os sacrifícios e a concentração de energias e esforços positivos, é necessária reverter as diferenciações entre militantes atribuídas pela pertença às diferentes subestruturas do PPD-PSD. As estruturas são necessárias num objectivo funcional e de melhor acesso e acompanhamento da sociedade. Mas todos os militantes são iguais, tendo como único critério de diferenciação o seu valor e contributo individual para o País e para o Partido.

Dados a considerar – 90% da população portuguesa não lê jornais e está dependente da qualidade da informação disponibilizada nos canais abertos, para fornecimento e formação da opinião política praticada e/ou publicitada. Estes dados, simples, permitem aferir da necessidade urgente de uma actividade exterior, das estruturas locais, planeada localmente e em coordenação com as estruturas distritais e nacionais.

Se adicionarmos o facto de que a natureza do novo eleitorado, o torna avesso à dialéctica habitual e ao formalismo de acesso à informação assim como a hermética prática política existente actualmente na maioria das secções dos Partidos, prontamente aferimos que é nas estruturas locais – pela sua maior proximidade, mais até do que nas Distritais e Nacionais, que se coloca o maior desafio, maiores responsabilidades e melhor teste do valor da militância individual.

Uma nota final para a gestão da mensagem política.

Na gestão da mensagem, cabe-vos aprender com quem tem ganho na guerra comunicacional. Mas na forma pelas mensagens claras, no conteúdo pelas propostas concisas, na acção pela responsabilidade das propostas e pelo revelar e denunciar da ameaça demagógica de esquerda, com uma atenção especial na esquerda em ascensão – Bloco de Esquerda, que pelo seu discurso irracionalmente cativante, se revela perigoso para o futuro de Portugal, pelas consequências da sua acção e influencia.

Termino este pseudo-opuscúlo, com um desafio.

Vive-se tempos difíceis mas não impossíveis de ser superados.

Só precisam de ser diferentes porque os tempos são diferentes e assim o exigem.

Só precisam ter coragem para tentar, e ser, diferentes.

Defender os valores e a memória, ser responsável na acção e construir oportunidades de futuro.

Filosofia e obra de Padre António Vieira e a visão do quinto império

“Nascer pequeno e morrer grande, é ser homem…”

Neste sentido, devem pedir desculpa pelos erros (na acção e nas escolhas), ter orgulho do que são (laranjinhas) e do vosso passado, e tornarem-se grandes na obra feita a bem de Portugal, dos Portugueses e do Partido.

Cada militante, cada secção, tem uma responsabilidade para com Portugal, para com os Portugueses e para com o Partido. Têm obrigação de ajudar a cumprir os 3 P’s.

Os melhores cumprimentos a todos os militantes do PPD-PSD.

domingo, setembro 20, 2009

As verdades dos homens I

"Fala-se da coragem necessária para sacrificar a sua vida ao serviço da verdade; expõem-se todos os perigos; faz-se recuar de temor a maior parte da gente; só o homem corajoso se lança no perigo que acarreta por fim a sua perda; admiram-no e amen!".
Soren Kierkegaard,
O Direito de Morrer pela Verdade.